Mauro
ele trabalhava em uma empresa de construção civil no subúrbio, porém o escritório da referida empresa era acomodado no centro da cidade, o mesmo escritório que Mauro uma vez por semana era obrigado gentilmente visitar e apresentar relatório de suas atividades levianas.
Mauro adorava o centro, gostava mesmo, foi paixão a primeira vista, vista que desde o curso de inglês que fizera em 96 não lhe fazia esquecer.
“formigas, são todos formigas cantando” me dizia ele esfuziante no largo da carioca.
Eram os sebos, o jardim do BNDS, a sujeira universal da praça Tiradentes, os patos e gansos do campo dos afonsos, tudo delirava a mente e a sanidade de Mauro; Da obrigação da visita ao escritório ele transformou e deu cabo a uma viagem transcendentalista regada a fofura.
Em uma de muitas destas viagens Mauro por loucura, por solidão ou por visível vingança procurou sem encontrar o amor fácil, o amor alheio, o amor de um só.
Love paid
Era uma escadaria bem antiga que só poderia ser ocupada por uma pessoa, para subir ou descer.
Lá em cima ante-sala (com hífen e tudo) úmida e carcomida pela própria desgraça temporal, um sofá e uma janela aberta.
- vai uma cerveja?
-não obrigado.
-não o senhor não entendeu, a cerveja vai junto no “pacote”, pelo menos a primeira é de graça.
-ah, mesmo assim não e obrigado.
Mauro sua enquanto espera a sua vez, já visivelmente arrependido e com vergonha até do gordinho da cerveja, calcula a altura do prédio para uma possível fuga pela janela aberta, sabendo se tratar de três andares arrisca por em risco a fratura de algum membro; No meio de sua divagação, Mauro é trazido de volta à realidade pelo “empresário” do lugar (que de empresário só mesmo o título e a alcunha).
- rapaz é a sua vez!
- Mauro faltando-lhe pernas, levanta cambaleando no mezanino e tapete que compõe o velho prédio , conseguindo em fim alcançar o cubículo.
Time
Time
Time
lost time
enquanto Mauro desce a escada unitária de uma pessoa só, algo incrível lhe invade o peito.
Mauro é tomado por uma imensa euforia que logo ascende-se a extrema felicidade, encharcado por tal domínio ele gira em torno de seu próprio corpo uma meia volta quase completa tomando o caminho contrário ao de partida; vencendo a escada de dois em dois degraus ele logo está novamente na ante-sala (com hífen e tudo) úmida e carcomida; Sem concatenar algo plausível e racional Mauro invade o cubículo e encontra a ‘flor “se refazendo e ajeitando (ou o contrário) a cama ainda sem fôlego.
(a flor)- você esqueceu alguma coisa, sempre esquecem, foi carteira, se for deve estar no chão ou na gavetinha aí do lado.
(Mauro)- não ! , não esqueci minha carteira.
(a flor)- então o que está fazendo aqui; Se o senhor não se retirar vou chamar o “empresário”.
(Mauro)- calma, eu tenho de dizer-lhe uma coisa
(a flor)- seu louco, tarado. Ahhahahhhahh (gritando!)
(Mauro)- calma é que eu te amo, casa comigo; agente pode largar tudo e morar em campo grande(MS), eu tenho guardado algum dinheiro.
(a flor)-ahhhahahhahhaha (ainda gritando) socorrooo.
Mauro completamente aturdido e já decido a tomar o rumo de volta prepara-se para partir, quando aparece o “empresário” e de súbito o “empresário” empresariou e pos Mauro pra fora do lugar.
· moral e contexto : – Mauro não tinha esquecido sua carteira, Mas acabou sendo obrigado a esquecer com o “empresário”
ele ainda sofre o amor pela “flor”, mas ama mais a si mesmo.
Jean Carbono disse,
junho 20, 2010 às 7:10 pm
E eu q achei q vc tinha parado e estava fora de forma…